A Bíblia: sua natureza,
funções e finalidade
Vilson Scholz* — Rudi Zimmer**
Quanto a você, continue firme nas verdades que aprendeu e em que creu de todo o coração.
Você sabe quem foram os seus mestres na fé cristã. E, desde menino, você conhece as Escrituras
Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus.
Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o
erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja
completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações. (2Tm 3.14-17, NTLH)
Um dos livros mais vendidos por volta da metade da primeira década do século 21 foi O Código Da
Vinci, de Dan Brown. O livro conta uma história razoavelmente bem escrita, cheia de ação e suspense, mas
infelizmente recheada de meias-
-verdades e mentiras. A certa altura, no meio da madrugada, a mocinha da história conversa com um
personagem chamado Teabing. O diálogo é este:
Teabing pigarreou e declarou:
— A Bíblia não chegou por fax do céu.
— Como disse?
— A Bíblia é um produto do homem, minha querida. Não de Deus. A Bíblia não caiu
magicamente das nuvens. O homem a criou como relato histórico de uma época conturbada, e ela
se desenvolveu através de incontáveis traduções, acréscimos e revisões. A história jamais teve uma
versão definitiva do livro.
— Oh, sim.
Neste diálogo, boa parte do que se nega está correto. De fato, a Bíblia não chegou por fax do céu, tampouco como anexo de e-mail. Também não caiu magicamente das nuvens, nem foi encontrada, pronta, num cofre enterrado numa ilha deserta. No entanto, aquilo que se afirma nessa conversa fictícia é, no mínimo, uma meia-verdade, para não dizer que é pura mentira. Afirmar que a Bíblia é um produto do homem, não de Deus, é uma meia-verdade. Nada impede que, sendo escrita por homens, tenha sua origem em Deus. E dizer que a Bíblia se desenvolveu através de incontáveis traduções e que jamais existiu uma versão definitiva do livro é total ignorância dos fatos. Traduções nunca são feitas de outras traduções, e mesmo que o fossem, ainda poderiam ser verificadas à luz dos textos originais. E já existe uma ―versão definitiva‖ da Bíblia desde que o último livro do Novo Testamento foi escrito.
O que é, então, a Bíblia? Normalmente não falamos muito sobre a Bíblia. Falamos a partir da Bíblia e deixamos a própria Bíblia falar. Mas raramente paramos para pensar e falar a respeito da própria Bíblia.
Queremos examinar que livro ela é, quais são as suas funções, e qual é a sua finalidade.
Que livro é este que chamamos de Bíblia? Na verdade, não é um livro, mas uma coleção de livros. A palavra ―bíblia‖ é uma palavra grega no plural que significa ―livros‖. De fato, a Bíblia não é um só livro, mas uma coleção de 66 livros. No entanto, como esses livros estão todos num só volume, dizemos que é um livro.
No Novo Testamento Grego, a palavra grega ―biblía‖, traduzida por ―livros‖, aparece três vezes (Jo 21.25; 2Tm 4.13; Ap 20.12), mas não se refere à Bíblia como tal (a menos que, em 2Tm 4.13, Paulo tenha em mente alguns livros bíblicos). Isto permite afirmar que a Bíblia como tal não se descreve em termos de ―bíblia‖; ela prefere ser chamada de ―palavra‖ ou ―Escritura(s)‖. Aparentemente, o primeiro a aplicar o termo ―Bíblia‖ aos livros inspirados do Novo Testamento foi o teólogo cristão Orígenes, por volta de 250 d.C. Depois, o termo passou a designar todos os livros canônicos,incluindo os do Antigo Testamento. A palavra passou do grego para o latim, e do latim se espalhou para outras línguas. Assim, em inglês se diz ―Bible‖, em alemão, ―Bibel‖, em italiano, ―Bibbia‖ e, em português, ―Bíblia‖. A palavra tem, também, um uso figurado, para designar um livro de grande importância. Neste sentido, existe, por exemplo, ―A bíblia do vendedor‖. Que livro é a Bíblia? Um livro muito importante, que teve e ainda tem grande influência, especialmente no Ocidente. Foi o primeiro livro a ser impresso, na Europa, em 1456, no começo da ―era Gutenberg‖. É o livro mais traduzido, mais distribuído ou vendido e mais lido em todo o mundo. Uma pesquisa realizada no Brasil ao final de 2007 revelou que a Bíblia é o livro mais importante na vida da maior parte dos leitores brasileiros. Ela é dez vezes mais citada do que o segundo colocado, o escritor Monteiro Lobato. A Bíblia é, também, a obra mais lida recentemente, o gênero que os leitores mais admiram e o livro que os entrevistados mais releem. Que livro é este? Muitas pessoas falaram coisas bonitas a respeito dele. O presidente norte-americano George Washington disse: ―É impossível governar bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia‖. O escritor nordestino Tobias Barreto declarou que a Bíblia é ―um modelo de tudo quanto é belo e bom‖. Já o escritor gaúcho Moacyr Scliar afirmou que a Bíblia é um livro essencial, ―um texto que venceu o tempo; e vencer o tempo é essencial na literatura‖. João Ferreira Annes de Almeida, o pastor protestante que, em 1681, publicou o primeiro Novo Testamento completo em língua portuguesa, no linguajar típico daquele tempo afirmou o seguinte: ―A Escritura Sagrada, por ser a Palavra de Deus divinamente inspirada, tem de si mesma autoridade, e contém suficientissimamente em si toda a doutrina necessária para o culto e serviço de Deus e nossa própria salvação, como mui claramente o ensina S. Paulo, na sua segunda epístola a Timóteo, cap. 3, versos 15, 16, 17 dizendo: Desde a tua meninice sabes as letras sagradas…‖
Nesta afirmação, Almeida repete basicamente o que a própria Bíblia diz de si mesma. O que é, então, a Bíblia? A própria Bíblia responde que ela é a palavra de Deus. Diz em 2Pe 1.21: ―homens falaram da parte de Deus, movidos (ou guiados) pelo Espírito Santo‖. Ou, se colocarmos os termos na ordem em que aparecem em grego, teremos a seguinte ênfase: ―pelo Espírito Santo movidos falaram da parte de Deus homens‖. Foram homens que falaram, mas eles falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.
Logo, o que eles falaram e escreveram é a palavra de Deus. Ou, como aparece numa tradução para uma língua indígena, a Bíblia é ―tua fala no papel‖, ou seja, a fala de Deus colocada por escrito.
A passagem de 2Tm 3.16 confirma isto, ao declarar que ―toda a Escritura é inspirada por Deus‖. Agora, o que é inspiração? Este conceito de inspiração nem sempre é bem entendido. Poderia alguém pensar que os homens que escreveram a Bíblia estavam inspirados. No entanto, o texto diz que a Escritura foi inspirada por Deus. Em grego, trata-se de uma palavra só, que poderia ser explicada como ―Deuspirada‖ (no grego,
, uma palavra composta formada com ―Deus‖ e ―espírito‖ ou ―sopro‖). Não sabemos ao certo o que Paulo quis dizer com isto, em especial porque, em todo o Novo Testamento, esta palavra ocorre apenas nesse texto de 2Tm 3.16. O que fica claro é que a Escritura é inspirada por Deus, sendo que, neste texto, nada é dito a respeito de homens inspirados.
Na verdade, o processo da inspiração das Escrituras não é descrito ou explicado; apenas é afirmado.
Falamos sobre inspiração ―verbal‖, porque se trata de um texto inspirado, e textos são verbais, são feitos de palavras. Como a Bíblia não explica o que é inspiração, será necessário ler os textos inspirados para tentar descobrir do que se tratava. O autor da carta aos Hebreus diz que Deus falou ―de muitas maneiras‖. A leitura dos livros bíblicos confirma isto. Alguns textos foram, por assim dizer, ditados ou ―soprados‖. É o caso de
muitas mensagens anunciadas através dos profetas do Antigo Testamento (―Assim diz o Senhor: …‖) e também das mensagens às igrejas do Apocalipse (―ao anjo da igreja em Éfeso escreve: …‖). Mas há escritores bíblicos que falam sobre a pesquisa que realizaram, como é o caso de Lucas (Lc 1.3). Isto permite afirmar que os escritores não eram meros instrumentos que não sabiam o que estavam fazendo; eram, isto
sim, seres humanos no pleno uso de suas faculdades mentais.
Deus se valeu de homens para nos dar a sua palavra através do mistério da inspiração. Não obstante, a Escritura é a palavra de Deus. Ela não apenas contém a palavra de Deus; ela é a palavra de Deus. Ela não é simples resposta humana à revelação de Deus; ela é a própria revelação de Deus.
Afirmar a inspiração da palavra de Deus é, antes de tudo, uma confissão de fé e um ato de louvor. É algo que se afirma porque a própria Bíblia o revela. É uma convicção, uma confissão de fé, e, como tal, não pode ser comprovada ou demonstrada racionalmente. Não é, a rigor, uma conclusão a que se chega pelo método indutivo, por mais que o exame e a leitura dos textos confirmem a convicção inicial. Muitos, é claro, querem seguir por este caminho da indução. Querem primeiramente resolver todas as dificuldades bíblicas (como aquestão de variantes textuais, o aparente escândalo de afirmações como a de Sl 137.9, etc.) para só então decidir se ainda querem confessar a inspiração da Bíblia. O caminho mais sensato é o caminho inverso: seguir o que a própria Bíblia diz e aceitar a inspiração a priori, isto é, como algo anterior a qualquer experiência, e, a partir daí, lidar com a questão das variantes textuais e dos textos difíceis.
Por vezes somos lembrados de que as afirmações encontradas em 2Pe 1.21 e 2Tm 3.16 têm em vista o Antigo Testamento, não se referindo, portanto, de forma direta ao Novo Testamento. É claro que essas passagens podem ser, também, aplicadas ao Novo Testamento. No entanto, há como mostrar que também o Novo Testamento é de origem divina. Temos passagens como 1Ts 2.13. Mas o texto mais importante é mesmo Jo 14.26, que nos permite afirmar que o Novo Testamento é um projeto do próprio Senhor Jesus
Cristo. Ele, que citou e cumpriu o Antigo Testamento, prometeu também o Novo Testamento. Fez isto ao prometer o Consolador, o Espírito Santo, explicando que este ―vos ensinará todas as coisas e fará lembrar de tudo que vos tenho dito‖. Costumamos aplicar isto a nós, no âmbito da iluminação ou interpretação dos textos. Mas, no contexto em que foram proferidas, essas palavras têm em vista a revelação. Aquele ―vos‖ refere-se aos apóstolos que estavam com Jesus durante aquela ceia de despedida. E foi a esses apóstolos e evangelistas que o Espírito Santo lembrou o que Jesus tinha dito. Eles foram ensinados pelo Consolador. E desta lembrança e deste ensino resultou o Novo Testamento. Assim, podemos afirmar que os apóstolos de Cristo nos deram duas dádivas: o Antigo Testamento interpretado como livro de Cristo (seguindo o caminho indicado pelo próprio Jesus em Lc 24.44); e o testemunho de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. O primeiro já era um livro quando a Igreja Cristã nasceu, podendo-se dizer que ela nasceu com uma Bíblia no berço. O segundo veio a ser um livro, o nosso Novo Testamento.
Ao se ler, interpretar e traduzir um texto bíblico, é preciso levar em conta o aspecto teológico. É preciso levar a sério o fato de estarmos lendo, interpretando e traduzido a palavra de Deus.
A Bíblia afirma, também, que ela foi escrita por homens. ―Homens falaram da parte de Deus‖. Neste sentido, a Bíblia é um livro bem humano, escrito por gente como a gente, em línguas conhecidas e faladas naquela época. Em Is 1.20 se lê: ―A boca do Senhor o disse‖. E em At 3.21 consta que ―Deus falou por boca dos seus santos profetas‖. Hb 1.1 confirma que Deus falou aos pais pelos profetas. Num certo sentido, portanto, a Bíblia foi escrita por seres humanos para seres humanos. Ela não caiu do céu, pronta. Ela foi sendo revelada aos poucos. O ponto alto dessa revelação se deu com a vinda do Filho de Deus (Hb 1.1). O fato de, na Bíblia, Deus falar a nossa linguagem condiz com a encarnação. Não fomos nós que saímos à procura de Deus, mas ele veio até nós.
Ao se ler, interpretar e traduzir a Bíblia, é preciso levar em conta também os aspectos históricos, linguísticos e literários. É preciso dar atenção às palavras e ao texto. Ao lermos uma tradução ao português, a boa interpretação começa com a adequada compreensão do que está escrito em língua portuguesa. Inclui também a consideração do contexto, pois cada palavra bíblica é verdadeira em seu contexto. Muitos, infelizmente, ignoram ou afastam-se muito rapidamente daquilo que está escrito, e enveredam pelo caminho da interpretação alegórica. Em outras palavras, atribuem ao texto um sentido que as palavras não têm, e, assim, falsificam a mensagem de Deus. A Bíblia é a palavra de Deus e é, também, palavra de homens, não palavra de Deus dentro ou por trás das palavras dos homens, como muitos pensam e até afirmam. Uma segunda pergunta que se pode fazer é esta: Para que serve este livro? O que se pode fazer com a Bíblia? O que ela faz com a gente? Parece uma pergunta esquisita, mas ela é sugerida pelas palavras de
Paulo a Timóteo: ―Toda Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para …‖ Útil para … Útil para quê? Serve para quê? Serve para se comprar e colocar na gaveta ou na estante de livros? É possível. Serve como objeto sobre o qual se jura estar dizendo a verdade? É uma cena que aparece em muitos filmes. Serve como álbum de fotografias? No passado, muitas vezes aquelas Bíblias volumosas eram usadas para este fim. Serve para colocar em cima da mesa no dia em que o pastor prometeu fazer uma visita? Sempre causa uma boa impressão. Serve para quê? É útil para quê? A resposta está em 2Tm 3.16: Ela é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça. A NTLH é mais clara, ao dizer que ela é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.
São quatro funções, mas elas podem muito bem ser reunidas em dois grupos: condenar o erro e corrigir as faltas; ensinar a verdade e ensinar a maneira certa de viver.
A Bíblia ensina. Ela revela. Ela ensina a verdade e ensina a maneira certa de viver. Ela é manual de fé e de vida. Ela ensina a verdade, que é Jesus Cristo. A célebre pergunta de Pilatos: ―O que é a verdade‖? tem resposta aqui. Ela ensina, também, o jeito certo de viver. Muitas são as propostas de modos de vida. Mas sóa Bíblia ensina o jeito de viver que agrada a Deus. A Bíblia faz mais: ela condena o erro e corrige as faltas.
Existe erro? Para muitos, hoje, ―tudo está certo, dependendo de como a pessoa explica ou de que ângulo você enxerga‖. O erro de muitos reside em dizer que não existe erro. A Bíblia fala em condenar o erro. Em tempos de corrupção, de relativismo ético, a Bíblia tem muito a dizer. Aos outros e a nós também.
Ao ensinar, condenar o erro e corrigir as faltas, a Bíblia se mostra uma palavra de poder. Ela não somente é verdadeira, mas é também poderosa. Ele mexe com o seu ouvinte e leitor. Além das muitas histórias que dão conta disto, na Bíblia e fora dela, este fato é confirmado por outros textos bíblicos. Em Is 55.11, Deus diz: ―A palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia‖, isto é, ―não voltará sem ter feito o que eu quero‖. Em Jr 23.29, Deus faz uma pergunta retórica: ―Não é a minha palavra como fogo… e como um martelo que esmiúça a penha (isto é, como a marreta que quebra grandes pedras)‖? Em Rm 1.16, o apóstolo confessa que o evangelho é ―o poder de Deus para a salvação de todo o que crê‖. E, numa passagem bem conhecida, o autor aos Hebreus declara que ―a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados. Ela vai até o lugar mais fundo da alma…‖ (Hb 4.12, NTLH)
Importa deixar que a Bíblia exerça esta função, por mais que gostemos de ler a Bíblia sempre a nosso favor, nunca contra nós.
Como palavra de poder, os livros bíblicos foram, de modo geral, escritos para causar alguma transformação. Podemos afirmar que Deus convence na Bíblia e por meio dela. Ela tem um lado pragmático ou retórico.
Isto pode ser verificado em textos de diferentes partes da Bíblia. Na Lei, em Dt 30.15,19, Deus afirma:
―Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; … escolhe, pois, a vida‖. Deus não apenas informa que existe vida e morte, bem e mal; ele deseja que o seu povo opte pela vida. Nos Profetas, em Jr 7.3, se lê:
―Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e eu vos farei habitar neste lugar‖. Deus não apenas informou que existe um caminho tortuoso; ele repreendeu, chamou o seu povo de volta ao caminho reto. Nos Evangelhos, em Lc 1.4, o médico amado declara que sua intenção, ao escrever a Teófilo, é ―para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído‖. Claro, ele revela mais detalhes sobre a vida e o ensino de Jesus. Algumas das belas parábolas de Jesus se encontram unicamente no Evangelho de Lucas. Mas sua intenção declarada não é ―para que tenhas mais informações‖, e sim para que ―tenhas plena certeza‖. Lucas tem um lado pragmático ou retórico. E nas Epístolas, em Gl 5.1, Paulo escreve: ―Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão‖. Numa carta tão rica de conteúdo doutrinário, a impressão que se pode ter é que Paulo queria mesmo ensinar. Ele faz isso. No entanto, ele não ensina por ensinar.
Ensina com o propósito de impedir que os cristãos abandonem o evangelho da liberdade em Cristo.
Há, ainda, uma terceira pergunta: Qual a finalidade da Bíblia? Para que fim ela nos foi dada? Será que a
finalidade da Bíblia é nos garantir o acesso ao céu (num pensamento do tipo, quem tem um a Bíblia em casa vai para o céu)? Não. Será que é para que se possa dizer: quem não lê a Bíblia vai para o inferno?! Também isto não é verdade. Será que a finalidade dela é responder todas as perguntas que temos sobre os mais diferentes assuntos (nem que a resposta esteja, como alguns supõem, nas entrelinhas ou na combinação das letras usadas)? Muitos de fato gostariam que a Bíblia matasse a sua curiosidade sobre uma série de coisas ou respondesse um bom número de perguntas, mas ela não o faz. Não é esta a sua finalidade. Tem gente que gostaria de saber, por exemplo: com quem Caim casou? Qual a origem das diferentes raças? Quando ou há quanto tempo o universo foi criado? Ou, quando vai ser o fim do mundo?
A Bíblia não responde a maioria de nossas perguntas — perguntas miúdas, diga-se de passagem. Paulo confessa não ter, agora, todas as respostas: ―O que agora vemos é como uma imagem imperfeita num espelho embaçado, mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é imperfeito, mas depois conhecerei perfeitamente, assim como sou conhecido por Deus‖ (1Co 13.12, NTLH). Deus nos conhece perfeitamente, mas nós não conhecemos tudo a respeito de Deus. Entretanto, sabemos o principal. Temos resposta para as perguntas fundamentais. Paulo lembra a Timóteo: ―Desde menino, você conhece as Escrituras Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus‖ (2Tm 3.14, NTLH).
As Escrituras dão sabedoria. Não uma sabedoria qualquer, mas a sabedoria que leva à salvação. Não uma salvação de qualquer jeito, mas salvação por meio da fé. Não uma fé genérica, ou uma fé como simples esperança de que tudo vai dar certo, mas a fé em Cristo Jesus. Portanto, o ponto alto é Cristo Jesus. Quem não encontrou Cristo nas Escrituras ainda não encontrou o principal.Esta finalidade da Bíblia é confirmada em textos como Jo 20.31 (―para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome‖) e Rm 15.4 (―Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras,
tenhamos esperança.‖).
A Bíblia é a palavra de Deus que nos ensina e mexe com a gente, com a finalidade de nos dar a salvação
pela fé em Jesus Cristo. Que livro! Que dádiva! Que bênção! Diante de tudo isto só podemos confessar com o Salmista:
―Vê como amo os teus ensinamentos, ó SENHOR!
Conserva-me vivo, por causa do teu amor.
Todas as tuas palavras são verdadeiras;
os teus mandamentos são justos e duram para sempre‖. (Sl 119.159-160, NTLH)
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